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Digressão mercadológica - A propaganda criativa para o público
errado
Autor: Claudio Nossa - claudio@weblogical.com.br
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O início do período pós-moderno foi marcado por algumas
mudanças profundas no comportamento do consumidor e principalmente
na forma de se comunicar com eles. Os surgimentos das mídias de massa
contribuíram tanto para o crescimento das vendas, que a propaganda
chegou a ser considerada como algo imprescindível e o mais perfeito
diferencial mercadológico. Imagine uma empresa, nos anos 70, no século
passado, poder alcançar milhares de consumidores nas mais diversas
regiões por um custo relativamente baixo diante as outras mídias
existentes. A comunicação de massa foi tão representativa
que criou um ambiente voltado para o simulacro, permitindo, facilmente o despertar
do desejo por um determinado produto ou serviço.
No entanto, o desenvolvimento desta forma de comunicação não
brilhou e não brilha só. Vale lembrar os estudos e aplicações,
pós-segunda grande guerra, dos Japoneses orientados pelo norte-americano
Demming, na área da qualidade. Não vamos esquecer também
os estudos que maximizaram a produção industrial, frutos da
atuação de Ford com a sua linha de montagem até as novas
práticas que visavam o desenvolvimento organizacional. Não tão
obstante podemos também incluir as ações de gestão
de pessoas que valorizavam e criaram ambientes propícios para a produção.
Seria ingenuidade de nossa parte colocar todo o crédito do sucesso
de determinados produtos apenas aos que fazem a publicidade como normalmente
ocorre. Provavelmente isto acontece por ser a parte que o consumidor vê.
Segundo Kotler, o pai da mercadologia moderna, a atuação promocional
e de comunicação é apenas uma perna de toda ação
neste mercado. Praticamente é impossível, hoje, ganhar clientes
apenas fazendo propaganda e não tendo um bom produto como foi feito
no início das atividades a partir da segunda metade do século
passado. A propaganda destaca os valores da marca e, para isto, é preciso
ter um conjunto e uma base bem preparada para ofertar algo que satisfaça
as necessidades dos clientes.
Tratando-se de propaganda de massa referimos logo aos EUA. Certamente não
encontraremos em nenhum lugar do mundo um ambiente próprio para o desenvolvimento
da propaganda e promoção. Poderemos até reafirmar dizendo
que ao pensar em qualquer ação mercadológica vamos aos
EUA da mesma forma que ao pensar em Design temos que ir à Alemanha.
Afinal quase todas as escolas de Design do mundo seguiram as linhas da escola
Alemã como nos EUA com o Marketing.
As ações mercadológicas dentro dos EUA já mudaram
muito desde o início das atividades e muitos foram os fatores para
isto: a atenção passou do produto para o cliente, crescimento
de outras mídias alternativas, estagnação da economia
e do mercado consumidor, Internet, pensamento neoliberal e a globalização.
Desta forma, o mercado passou a exigir mais das empresas e o diferencial competitivo
passou a alterar dependendo da situação do mercado local e global.
A propaganda foi alcançada pela maioria das empresas e deixou de ser
elemento que permitisse destaque. Um exemplo disto é o avanço
dos estudos relacionados a logística, sendo defendido como imprescindível,
junto ao mercado de bebidas, pois a propaganda é importante, mas caso
não tenha um bom programa de distribuição a ação
será ineficiente.
Ainda com os americanos, eles desenvolveram uma ferramenta gerencial que utiliza
métodos estatísticos chamado Seis Sigmas. A aplicação
desta técnica é vital para mercados que a ocorrência de
erros deve chegar próximo de zero, ou seja, literalmente qualidade
total. Quer entender um pouco o que significa algo sem erros? Imagine um universo
de 1000 carros e que cerca de 5% destes carros se desviam do padrão
de qualidade aceitável. Certamente após o consumo apresentarão
problemas. Ou seja, o mercado aceita que apenas 50 carros saiam das empresas
com estes problemas. Agora, já imaginou esta mesma estatística
para o processo de decolagem e chegada de aviões? Seria um desastre
após o outro. Vamos diminuir para 1% e mesmo assim, teríamos
10 ocorrências de processo negativo para cada 1000. Continua alto. Ou
seja, a margem de erro de um produto também pode ser um diferencial
competitivo e certamente será isto que vai ser exaltado na comunicação
com o público.
A verdade é que as empresas não podem mais atuar da mesma forma
há 30 anos atras. Tudo mudou. A propaganda não é mais
o segredo do sucesso. É preciso estudar o mercado como um todo e principalmente
a condição e o comportamento do consumidor que é bastante
volátil. A comunicação integrada está mais presente
nas organizações e o resultado disto certamente está
mais próximo ao sucesso. A Propaganda deve ser direcionada a luz de
Marketing e não adotada de forma irresponsável por agências
que não conhecem outros atributos deste mercado.
A retórica deste texto não destaca a capacidade da propaganda
de ser criativa e sim funcional. Reconheço que a criatividade é
importante e os brasileiros dão um show à parte. Mas, durante
o período em que as ações mercadológicas foram
desenvolvidas nos EUA, o Brasil esperou e aceitou estudos prontos para uma
realidade diferente da nossa. A atuação dentro do mercado ficou
restrita as agencias de publicidade. Se a propaganda é uma função
da Mercadologia, como alguns autores afirmam, e curiosamente surgiu no Brasil
primeiro do que as ações mercadológicas e ainda ocorrem
mudanças constantes no cenário, será que a atuação
das agências de publicidade, hoje, permitem o sucesso do cliente no
mercado?
A resposta está na ação de algumas empresas mundiais
em relação ao valor dado à retenção do
cliente. Programas de fidelidade, indicação, Marketing one to
one e CRM estão marcando a nossa atualidade ao diminuir os investimentos
desprendidos aos clientes permitindo maior investimento e integração
dos dados organizacionais. Não basta mais chamar a atenção.
Agora temos que oferecer o produto certo ao público certo e não
atirar para um todo no intuito de acertar as partes. A atenção
do cliente mudou. Ele está mais seletivo à comunicação
das empresas e com a interatividade eletrônica estará no comando
em futuro próximo. A sua empresa está preparada?
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